
I – Contexto do artigo
No mundo dos negócios, incluído está muita diversão e arte, e quando falamos de arte podemos falar de cinema, de produções de toda natureza, ou poderia dizer gêneros de filmes, sejam comédia, drama, suspense, terror, fantasia, entre outros.
No nicho cinema, na minha visão leiga, existem quatro custos essenciais, sem prejuízo de podermos elencar outros, mas os quatro que quero tratar aqui se subdividem em: 1) Marketing de lançamento, 2) Cachê dos atores/atrizes, 3) Produção do filme, e 4) Remuneração dos criadores do filme e seu staff.
Em sequencias de filmes, a exemplo do Diabo Veste Prada, podem ou não ser mantidos os atores e atrizes originais, assim como os criadores e staff, sim pois não fica adstrito a um criador só, muitas obras (filmes) podem ter vários criadores, vejam por exemplo como a serie Two and a Half Men, Friends, Sex and the City, entre outras obras.
Dito isso, ou seja, sobre poder ou não ter os mesmos criadores, staff e protagonistas, de forma cristalina nesta sequencia foram mantidas as protagonistas, ou seja, Miranda Priestly (Meryl Streep) e Andy Sachs (Anne Hathaway) , e ao estudar os criadores e staff da 1ª versão, aparentemente seguiram os mesmos, com algumas alterações no staff, afinal estamos falando de distantes 20 anos (2006).
Porém os criadores, mantiveram-se incólumes, o que causa muita estranheza como conseguiram fazer uma sequecia, sem sequencia, sim isto mesmo, pois como pode após 20 anos a versão 2 manter a mesma “posicao’ a meninha que na 1ª versão afoita, inexperiente trabalhava com Miranda, novamente se colocando como antes, ou seja, literalmente submissa, e em uma minúscula sala, tendo que se “provar”, ou seja, mostrar a sua competência o tempo todo, quando já tinha sido validade na 1ª versão, e o mais grave de tudo, é que estamos falando de um filme que trata sobre moda, e os looks de Andy Sachs (Anne Hathaway) sequer merecem comentários de tão desproporcional ao que ela se propõe, enfim, ao meu olhar, eu jamais escolheria para ela, qualquer dos looks que usou na 2ª versão.
Não é preciso dizer que foi investido, leia-se custou milhões de reais para o lançamento, ou seja, o barulho foi muito grande, para um resultado inócuo, embora logicamente, pela curiosidade a bilheteria nas primeiras semanas foi estrondosa, mas… foi tão estrondosa quanto a crítica ácida, como esta aqui neste artigo, pois é uma verdade tão cristalina que chega a ser unanimidade.
Entao, algo que se quer compreender, é como que as protagonistas, duas mulheres empoderadas permitiram, se submeteram a um roteiro que simplesmente diminuiu as personagens, ao invés de catapulta-las ao ápice?
Ainda nesta linha de pensamento, tambem se questiona como os criadores ao ler o roteiro que criaram, não perceberam como estava inadequado o roteiro, e que o resultado seria negativo.
Resumo da ópera, considerando que com a internet conseguimos obter informações que outrora talvez fossem impossível, ou seja, dados em valores sobre o quando custou a obra, quanto rendeu, e seu resultado efetivo.
II – Tabela Comparativa: O Diabo Veste Prada (2006) vs. O Diabo Veste Prada 2 (2026)
| Dimensão de Análise | O Diabo Veste Prada (2006) | O Diabo Veste Prada 2 (2026) | Impacto / Leitura Acadêmica |
| Orçamento de Produção | US$ 35 a 40 milhões | US$ 100 milhões | Aumento exponencial de custo operacional e risco financeiro. |
| Investimento em Marketing (P&A) | US$ 15 a 20 milhões | US$ 50 a 70 milhões | Dependência de campanhas ostensivas e apelo à nostalgia. |
| Bilheteria de Abertura (Mundial) | US$ 40,1 milhões | US$ 233,6 milhões | Força de atração da franquia no lançamento de short-term. |
| Bilheteria Total Acumulada | US$ 326,5 milhões | US$ 680+ milhões | Sucesso comercial viabilizado pela consolidação da marca. |
| Recepção da Crítica Especializada | Aclamação (~75%-80% de aprovação) | Severa / Polarizada (~40%-45% de aprovação) | Desconexão entre viabilidade financeira e valor artístico. |
| Arco do Personagem (Andy Sachs) | Ascensão, maturidade e autonomia | Regressão narrativa e reposição em submissão | Vício estrutural de roteiro por repetição de fórmula. |
| Semiótica do Figurino / Moda | Icônico, narrativo e estruturante | Apagado, genérico e desproporcional | Perda da linguagem não verbal central ao nicho da obra. |
| Modelo de Negócio Predominante | Cinema autoral de estúdio (Mid-budget) | Legacy Sequel / Varejo cultural de franquia | Primazia da rentabilidade sobre a coerência diegética. |
III – Conclusão
III.1 A Financeirização e o Varejo Cultural
Conforme demonstrado no quadro comparativo, a transição entre a obra original e a sua sequência reflete o fenômeno contemporâneo da financeirização do cinema comercial. Enquanto o filme de 2006 utilizava um orçamento modesto para alavancar um roteiro de amadurecimento denso e esteticamente funcional, a sequência de 2026 opera sob o modelo de megafranquia: quadruplica os custos de produção e marketing para maximizar a receita de abertura, mas entrega uma estrutura narrativa regressiva e visualmente empobrecida.
III.2 A Ilusão Causal e a Vitória do Marketing Pernicioso
Diante de todas as informacoes deste artigo o filme foi uma tragédia, mas o resultado financeiro foi um sucesso, isto prova que nao existe logica linear, quem escreveu o livro O Andar do Bêbado: Como o Acaso Determina Nossas Vidas (Leonard Mlodinow) – físico e autor norte-americano, ao rever os conceitos que ele traz no livro so confirmam que linearidade, ou logica nao fazem sentido, pois como pode uma producao tosca ter tido um resultado avassalador positivamente, por derradeiro o que se deduz é que o apelo de marketing venceu a qualidade final do filme, mais uma vez o marketing pernicioso atuou freneticamente e logrou sucesso, isto é pessimo para a arte no sentido arte raiz, pois o filme na minha visao leiga, a versao 2 é um retrocesso artístico injustificável.
Hagen Lecter
Gosthwriter
Porto Alegre-RS/Brasil
20jul2026 – Segunda-feira (chuvosa) – 09:37
